quarta-feira, 10 de junho de 2015

As fronteiras do privado no ciberespaço


Autor: Abian Laginestra

Há um enorme esforço das equipes de desenvolvimento, infraestrutura, segurança e governança para que a distinção entre pessoal e privado também sejam mantidas no ciber espaço.

No entanto, muitos detalhes pessoais, que permanecem privado em circunstâncias offline, tornaram-se públicos no mundo virtual. A proteção da privacidade torna-se tarefa árdua quando seus dados são postados via anonimato.

O que é privado deve ser distinguido do que é secreto. Traçar essa fronteira até mesmo para as nossas próprias informações pode se demonstrar bem difícil. Segredo é quando algum fato mesmo sendo armazenado a partir do conhecimento dos outros não deve ser exposto jamais, nem mesmo (vide agências de inteligência) sobre o ator em questão ou à revelia dele.

Em contrapartida, algum dado pode ser privado (ou seja, confinado a uma determinada pessoa), mas não secreto. Como ele pode ser conhecido por outros, naturalmente possui uma mobilidade entre plataformas e recursos.

Acontece que no ciberespaço, a sobreposição entre a privacidade e o sigilo é bastante reduzida. O anonimato surge então no espaço cibernético com o intuito de diminuir a nossa vulnerabilidade e, assim, reduzir a necessidade de segredo em nossos assuntos privados. Mas não é garantido. Seu IP, MAC adress está lá.

A privacidade se manifesta no desejo de se compor originalmente dentro de uma determinada estrutura social, como um estado, bairro, uma sala de bate-papo, trabalho, amigos ou família, por exemplo. Este quadro inclui outras pessoas que temos que levar em conta. Logo, privacidade não é e nunca foi garantia de segredo.

” A proteção da vida privada da esfera doméstica em que a desigualdade existe é a protecção do direito dos fortes a explorar e abusar dos fracos ” – Citado em DeCew, 1997: 88; ver também Sykes, 1999: 226-229.

A informação privada e secreta virou uma forma de poder perpendicular ao poder formal, na medida que qualquer sujeito que encontre uma brecha de segurança em alguma plataforma, pode se apoderar dela por um instante, não respeitando as hierarquias sócio, político, econômica e formal em voga. Uma questão é o binário emoções versus privacidade.

Em um primeiro instante, a privacidade parece exigir não manifestar emoções nas redes sociais. Será que devemos revelar nossas emoções, sendo sinceros, ou deveríamos escondê-las e, assim, proteger a nossa privacidade? Levante o dedo quem nunca pensou assim a partir dos Baby Boomers?

O conflito entre a privacidade e a sinceridade é ainda maior se levarmos em conta que a privacidade não só protege os nossos valores profundos, mas também garante a profundidade da nossa vida.

Privacidade é, sem dúvida, importante, mas assim é sinceridade é auto revelação. O conflito entre elas, que está presente em vários domínios, é mais pronunciada em emoções, dado o seu papel importante na comunicação pessoal. A comunicação emocional é tipicamente sincera, para que ele possa facilmente revelar o que está no cerne da nossa esfera privada.

Por mais surreal que possa nos parecer, tudo isso são conflitos necessários da nossa vida virtual. Existe diferença a este respeito entre offline e online? A resposta é não. Já que mesmo estando offline, algum dado seu estará publicado.

Cada um, no fim, longe das tecnologias existentes e emergentes, traça um plano próprio sobre isso.


A pergunta que fica para finalizar o artigo é: como vamos lidar com a nossa privacidade, sinceridade e sigilo no mundo virtual?

FONTE: CorpTV