terça-feira, 5 de novembro de 2013

A influência do Twitter cresce à medida que sua rede aumenta

Rede social apreciada pelos adolescentes, "segunda tela" para os telespectadores, ferramenta para revoluções antigovernamentais: o microblog Twitter aumenta cada vez mais sua ancoragem na política, na cultura e no mundo do entretenimento.

A plataforma de mensagens curtas se tornou uma força de democratização política, especialmente durante a Primavera Árabe, mas também nos Estados Unidos e em outros países.

No mundo árabe, "é muito difícil que o Estado continue dominando o discurso público por causa do Twitter", disse à AFP Adel Iskandar, professor de Comunicação da Universidade de Georgetown.

Segundo o especialista, o público pode reagir de forma instantânea a um comunicado oficial. "Isto muda a dinâmica e a estrutura de poder", explicou.

Embora tenha admitido que atribuir os levantes da Primavera Árabe ao Twitter seria simplista demais, ele disse não ter dúvidas de que a rede "acelerou as coisas".

"Esses movimentos de protesto poderiam ter se distribuído em seis ou sete anos", disse. Mas com o Twitter, "em alguns poucos dias, o povo descobriu o que estava acontecendo a milhares de quilômetros de distância".

Os dissidentes na Turquia amam o Twitter "porque pesa pouco, protege o usuário e permite seguir as pessoas sem ser amigo delas", afirmou Zeynep Tufecki, socióloga da Universidade da Carolina do Norte.

A mesma lógica não vale nos Estados Unidos porque o Twitter permite responder de forma imediata ou refutar a palavra de líderes políticos que tentam controlar sua mensagem. A rede "altera o status quo quase sem esforço", avaliou Iskandar.

Para Panagiotis Metaxas, da Universidade Wellesley College, uma vantagem do Twitter é que todos os tuítes (mensagens curtas postadas na rede social) são iguais e o poder da multidão permite "afogar" rumores e declarações falsas, ao contrário do Facebook, onde a mensagem do autor original continua sendo dominante e permanecendo no topo dos comentários publicados a seguir.

Os pesquisadores amam o Twitter; os adolescentes também – O Twitter não só é uma ferramenta útil para a organização das massas, mas também para definir o discurso para vencer uma eleição, fazer com que um filme vire um sucesso de bilheteria ou que um programa de TV faça sucesso.

O imediatismo que ele permite avaliar audiências televisivas, obter informação de forma instantânea durante transmissões ao vivo e votar em concorrentes de programas como "American Idol".

Quanto mais a rede cresce, mais é possível usá-la para analisar tendências, estados de ânimo e obter outros dados importantes sobre a sociedade, afirmaram especialistas.

Os pesquisadores amam o Twitter porque todos os tuítes são acessíveis e a rede proporciona baixar os dados facilmente, explicou Alan Mislove, da Northeastern University, que trabalhou em um estudo sobre "o pulso da nação", publicado em 2010.

"É possível obter uma amostra ampla de dados que abranjam um país inteiro ou vários países, buscar impressões, tendências", afirmou. "Este tipo de dado é usado por estudiosos em psicologia, sociologia, ciência política, geografia", destacou.

Os cientistas têm usado o Twitter como um "barômetro da felicidade", enquanto outros avaliam as mudanças de ânimo das pessoas durante um dia ou uma temporada.

Os adolescentes também adoram o Twitter: 26% deles declararam que é sua rede social favorita em recente estudo da empresa americana Piper Jaffray.

Outro estudo do Centro de Pesquisas Pew, publicado no começo deste ano, mostrou que, embora o Facebook ainda liderasse entre as redes sociais, sendo usado por 90% dos adolescentes, o Twitter dobrou sua popularidade nesta faixa etária.

"O Twitter responde a uma necessidade de simplicidade", explicou Amanda Lenhart, pesquisadora do instituto Pew. "São 140 caracteres e isto de alguma forma é libertador. Não é preciso escrever muito", explicou.

Para Lenhart, os adolescentes veem o Twitter como um serviço que requer menos manutenção do que uma página do Facebook, já que os tuítes representam um fluxo e "se tem a impressão de que desaparecem". Por isso, têm menos medo de ser controlados.


Muitos jovens estão no Twitter "para fugir dos pais no Facebook", reforçou Tufecki.

FONTE: CorpTV