sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Custos da mídia social? Os trabalhadores continuam pagando com seus empregos

Depois de 12 anos no cargo, Demetra "Meech" Christopher diz que foi demitida do call center da Xerox em Lexington, Kentucky, depois de postar uma foto de si mesma no trabalho no Instagram e usar como hashtag o nome da empresa.

Christopher diz que outros funcionários postaram fotos no Instagram, mas a administração decidiu demiti-la por ter identificado a Xerox. Christopher diz que já contratou um advogado de privacidade.
A Xerox não quis comentar o caso especificamente ou mesmo confirmar seChristopher trabalhou para a empresa, mas forneceu à CIO.com uma cópia da sua política de uso de rede sociais, mais dirigida aos funcionários que têm responsabilidades de uso de mídia social como parte de seus trabalho, do que para funcionários em geral. A Xerox também tem uma política rigorosa sobre o udo de dispositivos de tecnologia no call center. Dada a natureza sensível dos dados, incluindo números de cartão de crédito, a empresa diz que não permite que telefones pessoais, tablets câmeras no ambiente de trabalho.

O conflito entre Christopher e a Xerox ressalta um problema muito mais amplo. O uso pessoal que os funcionários fazem das redes sociais e o desejo das empresas de protegerem sua imagem pública criaram um perigoso cruzamento que ameaça inviabilizar qualquer ágio construído ao longo dos anos entre empregados e a gestão. Os funcionários tendem a arcar com o peso de colisões, como Christopher descobriu.

O número desses acidentes está crescendo. A CNN reuniu uma lista de 10 pessoas que aprenderam que descuidos na mídia social podem levá-las a serem demitidas. Entre elas estão estes quatro exemplos:

- O Barista Matt Watson, que fez um post anônimo em um blog sobre como lidar com clientes difíceis, e teve a sua identidade revelada pela sprudge.com, foi demitido por escrever sobre o seu local de trabalho durante o horário de trabalho.

- O professor de matemática Carly McKinney postou fotos picantes e fez tweets sobre uso de maconha e acabou sendo demitido.

- O atendente da California Pizza Kitchen , Timothy DeLaGhetto afirma ter sido demitido por estar twittando sobre os novos uniformes da empresa, "mais esfarrapados que nunca".

- E talvez o mais pertinente para os leitores CIO.com seja o exemplo dos dois desenvolvedores de software que brincacram sobre dongles "grandes" e "que se bifurcam" - insinuações sexuais com um toque de tecnologia - em uma conferência da PyCon. A desenvolvedora Adria Richards se sentiu ofendida, tirou uma foto deles e tuitou. Um dos homens foi demitido.

E não é só a parcela da classe trabalhadora da parte mais baixa do organograma que anda sofrendo. O CTO Pax Dickinson, da no Business Insider, foi demitido em setembro por fazer insultos raciais e piadas de estupro no Twitter. Além disso, o CFO Gene Morphis, da varejista de moda Francesca Holdings Corp, perdeu o emprego no ano passado por ter tuitado informações da empresa.

O que podemos ou não fazer?
De um modo geral, a maioria das empresas quer contratar trabalhadores mais experientes no uso das redes sociais, especialmente em funções de marketing digital, onde a mídia social oferece grande visibilidade. Mas a rede social começou e continua a ser uma forma dos indivíduos se expressarem. Assim, há uma curva de aprendizagem que os empregados e a gestão precisam fazer subir rapidamente.

"A maneira mais eficiente de conciliar estes dois eus - o pessoal e o profissional - é desenvolver uma política de mídia social para toda a empresa, segundo o qual o que pode e o que não pode ser feito pelos funcionários na comunicação social esteja claramente esclarecida, bem como as consequências por ignorar ou voluntariamente quebrar essas diretrizes ", diz Steve Nicholls, autor do livro" Mídias Sociais nas empresas. "

"O fato de que tem que aumentado os relatos de funcionários demitidos por causa de seus comportamentos em redes sociais só suporta a idéia de que existe uma forte necessidade de esclarecimento a ser feito entre empresas e funcionários", diz ele.

Xerox tem diretrizes de mídia social para os funcionários que lidam com blogs, micro-blogs, fóruns de usuários, redes sociais e compartilhamento de áudio e vídeo em nome da empresa. E quanto aos outros funcionários? Um porta-voz da Xerox diz que a empresa tem normas internas adicionais, mas não confirmou a existência de uma política de mídia social para os empregados em geral; Christopher diz que nunca viu uma política de mídia social.

A Xerox possui um Código de Conduta de Negócios de 23 páginas que não menciona mídias sociais ou redes sociais, apenas fornece uma estrutura de tomada de decisão ética altamente geral, que se baseia no senso comum e escrutínio público. Aqui está um exemplo:

"Faça o teste de escrutínio público: Se você não quiser ler sobre sua ação na primeira página do seu jornal local, não faça isso."

Qual é política e como deve ser elaborada?
Algumas organizações atribuem a elaboração da política ao CIO. Outras, ao Conselho Geral. E muitas, a uma comissão formada especialmente para a tarefa. É útil definir, por consenso, quem será o responsável e quem deverá ser consultado e envolvido antes de iniciar o trabalho de definição da política. É importante lembrar que há uma diferença entre a política - que define o que é lícito fazer ou não - e os processos operacionais.

Estes processos operacionais precisam ser flexíveis e mutáveis e também aderentes à política, mas cada departamento/atividade terá de trabalhar a governança e as diretrizes específicas do processo.

Algumas empresas confundem a criação de políticas com a comunicação dessas políticas. A política deve ser bem escrita e detalhada, mas é improvável que cubra tudo o que é necessário para instruir seus funcionários sobre suas responsabilidades no uso das mídias sociais. Um plano de comunicação bem concebido, apoiado por um programa de treinamento, ajuda a tornar a política melhor compreendida pelos funcionários.

Obter um feedback geral sobre a política, durante sua construção, serve a dois propósitos. Primeiro, garante que múltiplos interesses, como segurança, questões jurídicas, de privacidade e identidade corporativa, estejam sendo tratadas de forma adequada. E que a política esteja equilibrada.

Em segundo lugar, aumenta a adesão, quando um grupo diversificado de pessoas é convidado a analisar e comentar sobre o projeto. Isso significa que o processo pelo qual a política será revista e discutida, será incorporado ao resultado final, aumento a possibilidade de sua aceitação por todos os funcionários da empresa.

Redes Sociais vieram para ficar
Algumas empresas simplesmente proíbem as redes sociais no local de trabalho, diz Nicholls, pensando que esses problemas vão simplesmente desaparecer. Mas essa é a abordagem errada, diz ele. Para começar, a proibição de uso no trabalho não vai impedir os funcionários de acessarem as mídias sociais em seus smartphones durante os intervalos do almoço, após o expediente e nos finais de semana.

"A única coisa [ que a empresa] vai conseguir, tomando tal abordagem, é estabelecer uma atmosfera de desconfiança, que é muito contraproducente em um momento em que as empresas estão sendo encorajas a serem mais transparentes e abertas", diz Nicholls. "A fim de avançar com a revolução social que está afetando o mundo dos negócios, as empresas precisam abrir sua cultura organizacional."

Há uma estranha inversão de papéis acontecendo agora com as redes sociais na empresa: algumas empresas estão pedindo aos seus funcionários para alavancarem o seu Twitter pessoal e as contas do Facebook como um megafone para as mensagens de marketing.

"Este é um problema interessante que está surgindo no cenário da mídia social", diz Nicholls. "Não pode haver benefícios para os funcionários no uso de suas contas pessoais para fins comerciais, mas as empresas não podem obrigar seus funcionários a usarem suas redes sociais pessoais para beneficiar a empresa."

Alguns funcionários têm grande quantidade de seguidores no Twitter, tornando-se "influenciadores" nos meios de comunicação social. O marketing digital os cobiça. Empregados influenciadores podem marcar pontos com a gestão tocando suas redes para promover suas empresas.

"A mídia social é um campo relativamente novo, e tanto as empresas e quanto os empregados ainda estão aprendendo a lidar com isso da maneira mais satisfatória para ambas as partes", diz Nicholls.


Como acontece com qualquer novo meio de comunicação, algumas iniciativas serão excepcionalmente bem sucedidas, enquanto outras correrão à deriva e até fracassarão. Organizações que abordam as mídias sociais de forma organizada, planejada e coerente com a missão, a estratégia e os valores previamente definidos, serão capaz de analisar como essas iniciativas cumprirão os seus objetivos e usarão esse conhecimento para melhorar os esforços existentes ou projetos futuros.

FONTE: CorpTV