quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Exclusiva: Presidente da Intel fala sobre futuro da computação e "a fronteira final"

Autor: Agam Shah, IDG News Service

Depois das calculadoras, PCs e telefones móveis, a Intel está de olho no novo mercado da Internet das Coisas e o leque de oportunidades aberto pelo surgimento da computação vestível (wearable computing), que pretende abraçar com o lançamento do novo processador Quark.

A nova presidente da companhia, Renne James, que junto com o CEO, Brian Krzanich, forma a dupla de liderança máxima da Intel, falou em entrevista exclusiva à IDG em San Francisco, sobre como a empresa quer se apossar do mercado de dispositivos vestíveis, dissecou o novo conceito de integrated computing (computação integrada) e explicou os planos da companhia de acelerar o crescimento no mercado móvel enquanto tenta revigorar as vendas de PCs e atingir o que chama de "a fronteira final".

Os últimos meses têm sido especialmente ocupados para James, que assumiu a presidência da Intel em 2 de maio deste ano depois de ter atuado como vice-presidente executiva da unidade de software da Intel e head da divisão de software e serviços.

Renee James projeta um cenário para o Quark que envolve dispositivos como óculos inteligentes, medicina personalizada e serviços de nuvem. Acompanhe abaixo a entrevista completa.

IDGNS: Para onde está indo o mercado de wearable computing?
Eu acredito que ele vai muito além dos "vestíveis", acredito que estamos falando sobre computação integrada. E não acho que sabemos até onde vão as fronteiras dessa nova computação, desse novo caminho assumido pelo silício. Só imagine a possibilidade de pegar alguma coisa parecida com um curativo adesivo, colocar no seu braço e seu médico ser capaz de saber seus sinais vitais naquele momento. Parece ficção científica mas é real. É onde estamos nos posicionando. Essa é a fronteira externa para onde estamos caminhando com a computação.

IDGNS: Quando a senhora imagina que a computação integrada será um mercado de verdade para a Intel?
Para a Intel esse já é um mercado real. Temos diferentes produtos e plataformas que estão sendo desenvolvidas. É para isso que criamos o Quark. Acreditamos que as coisas que você vê como protótipos não estão três, cinco ou dez anos no futuro, estarão prontas em 12 a 18 meses.

IDGNS: A Intel vai vender dispositivos vestíveis diretamente para os consumidores? Já sabemos que a empresa está planejando o lançamento de um serviço de TV.
Temos a tendência de acreditar que nosso modelo de negócio funciona melhor ajudando as empreasas a construir coisas. É nosso papel projetar esses designs realmente integrados, você precisa construir um para saber que tudo está funcionando de forma sistêmica. Nós criamos plataformas de referência e vamos nos ater a isso.

IDGNS: O Quark é realmente de baixo consumo de energia. Ele vai substituir a plataforma Atom?
Não. Ele é um degrau depois do Atom. Você precisa olhar o cenário como Core, Atom, Quark. Eu adoro o nome Quark, é nerd e é divertido. O Quark está pensado para ser visto como um degrau menor que o Atom. Ele é dez vezes mais eficiente em consumo de energia e é cinco vezes menor. O Atom é pequeno, o Quark é a menor coisa que já construímos.

IDGNS: A dupla Intel e baixo consumo ainda levanta dúvidas hoje. Como a Intel chegou ao baixo consumo com o Quark?
Não, a Intel e o baixo consumo não são um ponto de interrogação. Temos inúmeros produtos de baixo consumo, isso está fora de questão. Essa pode ter sido uma dúvida cinco anos atrás, mas não agora. Veja, na tecnologia de 22 nanômetros do Haswell, por exemplo. Esse produto tem consumo de quatro watts com performance de Core i5 e capacidade gráfica de nível Core i5 e roda em dispositivos que não precisam de refrigeração ou ventilador. Ele é o produto mais eficiente em consumo já construído, em qualquer lugar.

IDGNS: Vocês vão oferecer licenciamento ou customização dos chips Quark para terceiros? O que estamos oferecendo é a possibilidade de conectar a propriedade intelectual dos parceiros em torno da nossa. Também estamos oferecendo produtos totalmente projetados. É um amplo expectro que vamos oferecer aos consumidores nessa categoria.

IDGNS: A Intel está olhando para além do Windows e se movendo para o Android e o Chrome para tablets e PCs. Como está seu relacionamento com a Microsoft?
Nosso relacionamento com a Microsoft está tão bom quanto antes. Eles estarão no IDF e você vai ouvir deles sobre a evolução do Windows 8.1. Eu acredito que é uma questão de balanceamento. A Microsoft não é mais a única escolha de sistema operacional hoje. É o mesmo que acontecia quando a Microsoft balanceava seus produtos entre Intel e AMD, estamos na mesma situação hoje. Nossos consumidores querem escolhas e nós oferecemos alternativas.

IDGNS: Qual é a próxima grande revolução para a Intel?
Computação integrada é a próxima revolução, eu acredito que o futuro é o que nós vamos fazer. Não será necessariamente sobre um dispositivo específico em favor de outro, será sobre que problemas poderemos resolver por meio do poder computacional. As fronteiras finais, as coisas que não entendemos e o que representa ter uma teia de dispositivos conectados com serviços de cloud e como isso tudo muda nosso jeito de pensar. É a fronteira final.

IDGNS: Quão importante é seu conhecimento anterior de software para liderar uma companhia que tradicionalmente estava focada em processadores?
Ele é de fato mais importante do que as pessoas imaginam. É muito relevante para o nível de plataformas integradas que nós visualizamos e estamos vendo as pessoas começarem a construir, mesmo a forma como os PCs são feitos hoje, servidores, diferentes cargas de trabalho, o que acontece na nuvem. Mais do que nunca, olhando para frente, o jeito como a computação está se desenvolvendo será sobre a aplicação, o processamento dos dados, o tipo certo de computação para o tipo certo de tarefa. A outra coisa é lembrar que construir "sistemas num chip"(SOC) e produtos hoje tem tudo a ver com software.

IDGNS: Qual é a direção da Intel no desenvolvimento de chips?

A nossa direção é continuar a ser o "tique-taque" da microarquitetura, mas considerando como fazer derivações... usando a metodologia de "sistemas num chip".

FONTE: CorpTV